quinta-feira, 8 de novembro de 2012

VALÉRIO ACUSA...


MATÉRIA INTERESSANTE PARA QUEM ACOMPANHA O JULGAMENTO DO STFDO CORREIO DO BRASIL

Valério acusa revista de ultradireita de manipular documentos vazados da PGR

7/11/2012 13:13,  Por Redação - de São Paulo e Brasília


Valério
Valério disse que o vazamento de seu depoimento pela Veja foi “seletivo, parcial e ilícito”
O Supremo Tribunal Federal (STF), ao retomar nesta quarta-feira o processo de cálculo de penas dos 25 réus condenados por envolvimento no mensalão, interrompido no dia 25 de outubro, em meio a novo impasse entre ministros sobre o método de cálculo das punições, está diante de uma nova realidade quanto ao réu Marcos Valério. Valério foi condenado a mais de 40 anos de prisão, mas a pena poderá ser revista, como sinalizaram alguns ministros, caso ele resolva delatar mais detalhes sobre o escândalo apelidado de ‘mensalão’.
As sessões previstas para semana passada foram suspensas devido a viagem para tratamento de saúde do relator da ação penal, ministro Joaquim Barbosa, que tem um problema crônico no quadril. Os ministros deverão finalizar a definição da pena de Ramon Hollerbach, ex-sócio do publicitário Marcos Valério, apontado como principal operador do esquema de compra de apoio parlamentar ao primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Depois, deverão analisar as condenações aos demais integrantes do chamado núcleo publicitário.
A Corte retoma a análise do caso com dúvidas sobre a participação do presidente do Supremo, Carlos Ayres Britto, até o fim do processo, já que ele se aposentará compulsoriamente ao completar 70 anos, em 18 de novembro. Há ainda um pedido de cautelar da Procuradoria-Geral da República, a ser analisado pelo STF, que propõe a entrega voluntária dos passaportes dos 25 réus condenados.
“Mensalão tucano”
Valério, que deu início à prática de captação e lavagem de dinheiro público em Minas Gerais, onde foi desviada soma ainda não inteiramente apurada dos cofres do governo do Estado para irrigar a campanha do então candidato tucano ao Palácio Tiradentes, Eduardo Azeredo, estaria pronto a falar tudo o que sabe e que fez, para se livrar de uma pena mais dura no STF. Para se defender de uma espécie de confissão publicada na revista semanal de ultradireita Veja, Valério, por intermédio de seu advogado, disse ao jornalista e blogueiro Luis Nassif, nesta quarta-feira, que o vazamento de seu depoimento à PGR, tanto na Veja quanto no diário conservador paulistano O Estado de S. Paulo, ocorreu de forma “seletiva, parcial e ilícita”, mas não revela suas suspeitas sobre quem vazou o teor dos documentos.
Os documentos enviados por Valério em julho de 2005 “foram essenciais para as investigações da AP 470″, afirmou Nassif. “Tudo isto possibilitou as investigações da Polícia Federal e viabilizou a denúncia do Procurador Geral da República que, apesar do exagero dos 40 acusados, não foi além dos nomes e dados fornecidos naquela atitude de colaboração com a Justiça, o que assegura direito à redução de pena. Não há nada de novo sobre este assunto, até porque a instrução na AP 470 está encerrada faz tempo”, alegou o advogado, em sua resposta ao jornalista.
O chamado “mensalão tucano” ou “mensalão mineiro”, como também é conhecido, segundo Nassif, está em fase “bem mais adiantada do que se imagina”. O advogado o informou que o ex-Procurador Geral da República, Antonio Fernando, “ao oferecer denúncia no caso chamado de ‘mensalão mineiro’ contra Eduardo Azeredo (hoje deputado federal), Clésio Andrade (hoje Senador) e outras 14 pessoas, deixou de propor ação penal contra os deputados e ex-deputados que receberam os valores, porque entendeu, expressamente, que o fato seria apenas crime eleitoral (artigo 350 do Código Eleitoral – “caixa dois de campanha”), que já estava prescrito. Este entendimento não foi adotado no oferecimento da denúncia e no julgamento da AP 470?.
Segundo escreveu Nassif em seu blog, “na defesa que fez de Marcos Valério, no julgamento do ‘mensalão’, o advogado mineiro Marcelo Leonardo demonstrou enorme competência. Não abusou da retórica, tão a grado dos advogados e magistrados. Foi objetivo ao descrever as acusações e ao rebater o mérito. Escrevi na época que me pareceu o mais brilhante dos advogados que atuaram no processo. Ser bem sucedido ou não na defesa não depende apenas do advogado, mas do próprio estado de espírito dos julgadores. Agora, dá seu lance mais ousado, ao orientar um cliente desorientado a adotar uma linha de defesa de alto risco”.
- Diriam os operadores de direito que é papel do advogado recorrer a todos os instrumentos em defesa do seu cliente. Digo eu: é possível que Leonardo esteja colocando em risco até a vida do seu cliente para defender outros possíveis clientes mineiros. A lógica é simples:
- 1. Há dois processos envolvendo Marcos Valério: o mensalão petista, que está no fim; e o mensalão mineiro, que está no começo. Valério já contou tudo o que podia sobre o mensalão petista e tem tudo a contar sobre o mensalão mineiro. Qualquer pedido de delação premiada, portanto, deveria ser em relação ao mensalão mineiro, que não foi julgado.
- 2. Qual a explicação para um advogado experiente, como Leonardo, solicitar a delação premiada e, mais, a proteção da vida do seu cliente, em cima de um depoimento fantasioso, referente ao processo que já está no fim? Qual a lógica de insistir em uma estratégia na qual aparentemente seu cliente tem muito pouco a ganhar, em termos de redução de pena; e deixa de lado a outra, na qual seu cliente poderá sofrer novas condenações, com agravantes?
- 3. Em Belo Horizonte, há mortes que se tentam relacionar com o “mensalão mineiro”. Há uma modelo que foi assassinada e um advogado que diz ter sido vítima de atentado. Pode ser verdade, pode ser algo tão fantasioso quanto as versões criadas em torno da morte de Celso Daniel. De qualquer modo, durante algum tempo, Marcos Valério mostrou uma preocupação genuína ao enfatizar que jamais delataria alguém. Para quem ele falava? Para os réus do mensalão petista ou do mensalão mineiro?
- 4. Agora, analise a seguinte hipótese: uma peça relevante na montagem do esquema Valério em Minas, alguém que sinta-se ameaçado por futuras delações de Valério sobre o mensalão mineiro, que já tenha sido indiciado ou que ainda não tenha aparecido nas investigações. Tem-se uma ameaça potencial – Marcos Valério -, que já se diz ameaçado e lança as suspeitas de ameaça sobre o lado petista. Qualquer atentado que sofra será debitado automaticamente ao lado petista. Não é prato cheio?
- 5. É apenas uma hipótese que estou formulando, mas perfeitamente factível. Ao tornar público o pedido de proteção a Valério, insinuando que sua vida está em risco, e ao direcionar as suspeitas para o caso Celso Daniel, Marcelo Leonardo expõe seu cliente a possíveis atentados.
- 6. Aguardo uma explicação de Marcelo Leonardo, pelo respeito que dedico, até agora, à sua competência de advogado.
A resposta
Diante dos questionamentos, o advogado de Valério enviou a seguinte mensagem:
Prezado Luis Nassif,
Em primeiro lugar agradeço as referências elogiosas feitas ao meu trabalho profissional. Fiquei lisonjeado.
Sobre matérias veiculadas pela revista Veja e pelo jornal Estadão, contendo referências a suposto pedido de delação premiada, suposto pedido de proteção pessoal e suposto depoimento de Marcos Valério em setembro do corrente ano, não tenho nada a declarar, uma vez que tenho por hábito cumprir meus deveres ético-profissionais. Se alguém “vazou” de forma seletiva, parcial e ilicitamente alguma providência jurídico-processual que está sujeita a sigilo, eu não tenho absolutamente nada a dizer, a confirmar ou não confirmar. Obviamente, não tornei público nada sobre este tema sobre o qual não falei a nenhum veículo de comunicação.
Quanto a AP 470 o processo já se encontra em fase final de julgamento. A defesa de Marcos Valério desde suas alegações finais escritas, apresentadas em setembro do ano passado, vem pleiteando a redução de suas penas, em caso de condenação, pela sua condição de “réu colaborador”, em face das atitudes tomadas pelo mesmo desde as suas primeiras declarações ao Ministério Público, em julho de 2005, em virtude de haver fornecido, voluntariamente a lista com nomes e valores de todos os beneficiários dos repasses feitos a pedido de partido político para integrantes da base aliada e fornecedores da campanha eleitoral de 2002, acompanhada dos respectivos documentos e recibos, bem como, na mesma época, ter fornecido as informações e dados sobre os empréstimos bancários. Tudo isto possibilitou as investigações da Polícia Federal e viabilizou a denúncia do Procurador Geral da República que, apesar do exagero dos quarenta acusados, não foi além dos nomes e dados fornecidos naquela atitude de colaboração com a Justiça, o que assegura direito à redução de pena. Não há nada de novo sobre este assunto, até porque a instrução na AP 470 está encerrada faz tempo.
Quanto ao chamado “mensalão mineiro”, o andamento do caso está em fase bem mais adiantada do que se imagina. A etapa das investigações já foi concluída e nela Marcos Valério forneceu todas as informações , inclusive os nomes dos políticos ligados ao PSDB (deputados e ex-deputados) que receberam, em contas bancárias pessoais, recursos financeiros para custear as despesas do segundo turno da tentativa de reeleição do então Governador Eduardo Azeredo, em 1998, tendo entregue as cópias dos depósitos bancários realizados.
É importante saber que o ex-Procurador Geral da República, Dr. Antônio Fernando, ao oferecer denúncia no caso chamado de “mensalão mineiro” contra Eduardo Azeredo (hoje deputado federal), Clésio Andrade (hoje Senador) e outras quatorze pessoas, deixou de propor ação penal contra os deputados e ex-deputados que receberam os valores, porque entendeu, expressamente, que o fato seria apenas crime eleitoral (artigo 350 do Código Eleitoral – “caixa dois de campanha”), que já estava prescrito. Este entendimento não foi adotado no oferecimento da denúncia e no julgamento da AP 470.
Sobre o “mensalão mineiro”, atualmente, correm três ações penais distintas. Duas no STF, uma contra Eduardo Azeredo e outra contra Clésio Andrade. A terceira, na qual é acusado Marcos Valério, tramita perante a 9ª Vara Criminal da Comarca de Belo Horizonte (Justiça Estadual), contra todos os demais denunciados que não tem foro por prerrogativa de função, pois neste caso o STF deferiu o pedido de desmembramento do processo, o que não ocorreu na AP 470. Aquela última ação penal encontra-se na etapa adiantada destinada a inquirição de testemunhas de defesa. Nela meu único cliente é Marcos Valério. Não atuo na defesa de qualquer outro acusado em nenhuma destas ações.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

AUXÍLIO RECLUSÃO


Em todas as críticas que circulam pela internet ao atual governo, principalmente as que têm origem nos economistas "chatos de galocha" que defendem a "direita", é citado o "Auxílio Reclusão", que imediatamente é   entendido como se fosse criação atual.
O Auxílio Reclusão foi criado pela Câmara Federal através da Lei 8213 de 24/07/1991 e sancionada pelo Presidente Fernando Collor de Mello, passando pelos governos de Fernando Henrique Cardoso, chegando aos dias de hoje.
Não entramos no mérito da questão, se é justa ou não, apenas entendemos que se deve esclarecer.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

A ODIENTA GRANDE MÍDIA


MERVAL, SARDENBERG, ROBERTO FREIRE, NINGUÉM MERECE...

Incrível o que colunistas da "grande mídia" e políticos de direita escrevem na tentativa de enganar a população.
Custam a entender que a consciência política do povo esta mais apurada, motivo pelo qual a "base da pirâmide" não se move mais obedecendo ao que tentam disseminar como verdadeiro.
MERVAL PEREIRA
O "imortal" Merval escreve em "O Globo" de hoje, não bastando o ataque aos "mensaleiros" e a defesa do ministro Joaquim Barbosa, comentando o fato de que Genoíno poderá assumir uma cadeira na Câmara Federal, apesar de que de acordo com a lei.
Todos os acusados mereceram ataques impiedosos de Merval, de toda a mídia de direita, e agora ainda tem a "petulância raivosa" de tentar mudar o regimento da Câmara para impedir o direito de José Genoíno mesmo que condenado, justa ou injustamente.
CARLOS ALBERTO SARDENBERG
O jornalista e economista destila o seu costumeiro mau humor com respeito a qualquer governo de centro-esquerda que se instalar e julga qualquer propaganda de órgãos governamentais como "enganosa".
Ataca a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil por anunciarem a queda dos juros, o que realmente aconteceu, causando a impressão de que não quer o prejuízo dos bancos privados que, com este anúncio, foram obrigados a baixar os seus juros também, para não perderem clientes.
Para justificar seus argumentos fala que os órgãos financeiros estatais recebem dinheiro publico "de graça", por isto são diferentes, omitindo propositadamente que os bancos também recebem vultuosas somas dos clientes, "de graça também", inclusive cobrando para abertura de contas, cadastro, talões de cheque, etc.etc. e têm a concessão do Estado. 
Considera "propaganda enganosa" também o governo divulgar expectativas sobre inflação, crescimento, PIB, etc., quando se sabe que esta divulgação realmente é dependente da situação global, é feita uma análise dependente de nossa situação que pode sofrer alterações de acordo com as crises internacionais, ou não?
ROBERTO FREIRE
Artigo de Roberto Freire nem deveria merecer comentário algum, já se transferiu de Pernambuco de "mala e cuia" para São Paulo, colocando seus correligionários em cargos públicos nos governos, de direita, Estadual de Alkmin/Serra (PSDB) e na Prefeitura Municipal de Kassab (PFL/PSD).
Freire mudou-se de Recife porque não tinha mais espaço político por suas posições conflitantes, se Marcos Freire, este sim um grande político, vivo fosse, jamais aceitaria uma situação destas, deixar-se usar pela extrema direita, como se de esquerda fosse.
E vem o Deputado Federal Roberto Freire agora, auto-intitular-se de esquerda. Esquerda deputado? Jogou fora a ideologia quando entregou-se à direita de Alkmin/Serra e Kassab, PSDB, DEM e PSD.
E esta é a imprensa de tenta nos enganar, esta sim que pode ser denominada de "PROPAGANDA ENGANOSA".
Não podemos deixar-nos impregnar por esta imprensa que esta demorando demais a aprender que política é outra coisa, é demonstrar ter programas, projetos de governo, não é só criticar e condenar aos outros tendo o "rabo na estrada".
Deveremos ficar atentos também ao fato de que a direita, como sempre faz, dora a pílula de candidaturas de esquerda para tirar proveito nas eleições. Em 2010 usaram Marina Silva (PV) para levar as eleições para o segundo turno, não obtiveram o resultado esperado, Serra foi derrotado pela Presidente Dilma Roussef, mas agora estimulam a candidatura de Eduardo Campos (PSB), o partido de esquerda que mais cresceu, para favorecer a candidatura de Aécio Neves ( PSDB). 
O PSB não deve esquecer que o PSDB esta muito mais para DEM/PSD do que para a esquerda. 

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

O PÓS ELEIÇÕES MUNICIPAIS

DO BLOG DO COMPADRE ZENO OTTO
A dificuldade da mídia em captar as iniciativas de Lula
Garimpado no http://www.advivo.com.br/luisnassif
Por SergioMedeirosR
O xadrez de Lula, nunca tem somente um componente, ele tem uma base conjuntural extremamente perspicaz.
O aludido movimento mencionado, de renovação dos quadros, é apenas um dos aspectos que podem de plano ser vislumbrados na estratégia política adotada.

Imagem Activa
Apesar de simples, as iniciativas do (sempre) Presidente Lula, não conseguem ser captadas pela mídia, em primeiro lugar pela incompetência ou pela má-vontade em relação a novas formas de apreensão da realidade e, em segundo lugar porque a manutenção do status quo, do pensamento (quase) único, necessita negar a viabilidade ou correção de novas tendências.
E isso, pode ser facilmente verificado quando da eclosão da crise econômica, em que o Lula falou que, para o Brasil, seria apenas uma marolinha.
Foi prontamente ridicularizado pelos analistas tanto políticos como econômicos.
Não entendiam as referidas “mentes brilhantes” que o mercado tem forte componente anímico, que a economia brasileira é basicamente interna, e contava  com considerável  capacidade ociosa.
Assim, naquele momento, as medidas cabíveis eram, incrementar e investir  no mercado interno,  mas, em contrapartida,  se não houvesse mercado para estes produtos inevitavelmente a “receita” não teria o efeito esperado.
Pois bem, no momento em que o presidente Lula vai à imprensa e, do alto de sua credibilidade perante a população brasileira, diz que as pessoas tem que produzir, tem que consumir,  e que os efeitos da crise econômica no Brasil, não passarão de uma marolinha, o presidente está simplesmente realizando um dos mais importante movimentos da estratégia(xadrez) econômica e política daquele momento.
Esquecem os analistas de plantão que, se naquele momento, a população internalizasse a noção de crise por eles proposta, inevitavelmente a economia brasileira estagnaria ou, pior, entraria em recessão, esta  com todos os seus componentes, desemprego, diminuição de recursos para a saúde, educação, para os benefícios sociais, etc..
Felizmente não foi o que ocorreu,  e as pessoas continuaram a produzir e consumir e o país cresceu e consolidou-se no cenário mundial como potencia econômica e modelo político.
No mais, por recente, todos conhecem a história, principalmente por ter sido extremamente bem-sucedida.
O reconhecimento, entretanto, veio da pessoa mais insuspeita,
É claro, falo de BaracK Obama, Presidente dos Estado Unidos da América, que, num rasgo de jovialidade, proferiu a seguinte exclamação, frente à vários chefes de estado e da imprensa mundial:  “Esse é o cara”.
Nesta campanha eleitoral de 2012, novamente a estratégia adotada pelo presidente Lula, não é alcançada pela compreensão da mídia oficial brasileira.
Repetem o mesmo erro e, ao depararem com os fatos, declaram-se surpreendidos, e pasmos com a “insensibilidade política da população brasileira” notadamente porque, segundo eles o “mensalão” (enquanto cena e tragédia) não teria influenciado o cenário político de modo  a levar o PT ao ostracismo.
Pobres “pensadores”.
Bem antes, um alquebrado Lula, recém saído de sua luta contra um câncer, mas com sua capacidade intelectual intacta (capacidade esta insistentemente contestada pelos referidos analistas), idealizou mais um de seus movimentos políticos, os quais são incompreensíveis para esta parcela da inteligência brasileira. Eles me lembram uma passagem do conto A Casa de Asterion , do argentino Jorge Luis Borges, in verbis: ...As enfadonhas e triviais minúcias não encontram espaço em meu espírito, capacitado para o grande; jamais guardei a diferença entre uma letra e outra..
Prosseguindo.
Marcado, pelo STF,  o julgamento do chamado mensalão,  para o período pré-eleitoral, este fato sinalizou e cristalizou a forma em que se daria o embate.
Como todo pensamento simples e objetivo, Lula contrapôs ao mensalão - incansavelmente veiculado pela mídia -, um PT diferente, com novos quadros, e o mais importante, estes neófitos,  erigiriam suas campanhas com ênfase em programas técnicos e em soluções urbanas para resolver os problemas sociais prementes.
Contraporiam à realidade posta, os novos projetos do PT; à antiga forma de fazer política, a idéia generosa de solidariedade social (que foi a gênese do Partido do Trabalhadores); à desigualdade econômica,  um  governo para todos.
Assim, diminuir as desigualdades, dar condições mínimas de educação, saúde, alimentação, moradia, mobilidade urbana, passaram a ser os temas e a tônica dos pleitos,  junto a isso, a insistente divulgação das realizações dos governos do PT no âmbito social e sua diferencia enquanto projeto de sociedade..
E Lula entregou-se de corpo (ainda combalido) e –toda - alma, nesta construção.
E estes “eleitos”, Haddad,  Pochmann, Elmano, Pelegrino... levaram esta nova forma de fazer política e cumpriram sua missão.
Então, nas cidades do Brasil, não se falou somente em mensalão, se falou em projetos, em política urbana, em governar  e para quem governar  prioritariamente.
E, desta vez não foi a esperança que venceu o medo, mas a razão venceu o oportunismo político e deixou aberta, mais uma vez as várias portas pelas quais transita a esperança.
Enfim, chegou a eleição e, surpresa, o PT saiu-se mais forte, mais revigorado e desafiando os velhos oráculos.
Alguns, como sempre, de forma tardia, estão aos poucos percebendo toda a estratégia, outros, ainda, estão restritos a noção de que Lula percebeu o “novo” e somente este fator motivou o resultado do pleito.
Mas, logo, logo, reconhecerão  que a estratégia de Lula, não simplesmente derrotou o mensalão, como forma sectária de fazer política, mas trouxe a população brasileira o que sempre deveria ser privilégio desta por ocasião das eleições, um debate de propostas e de idéias, em que somente pode haver um ganhador, o POVO brasileiro.
Talvez, agora, os analistas entendam a  frase proferida por Lula, que o novo pleito havia absolvido o PT.
Simples assim.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

A POLITIZAÇÃO DO STF...





A irresponsabilidade do decano

Coluna Econômica - 26/10/2012


Há duas maneiras dos Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) se manifestarem: uma, através dos autos; outras, através de manifestações extra-autos.
No primeiro caso, preserva-se a liturgia do cargo e até se pode disfarçar preferências, preconceitos e ideologia através das escolhas doutrinárias. A profusão de citações oculta ao leigo a enorme dose de subjetividade que permeia julgamentos.
Quando os magistrados enveredam pelo caminho da exposição pública e se permitem manifestar preferências políticas, o jogo muda. A toga vira ornamento vestindo o ego de uma celebridade. E o magistrado se expõe ao olhar público, como qualquer celebridade.
***
Sem o manto solene da toga, há muito a se reparar na personalidade de cada um: na falta absoluta de civilidade de Joaquim Barbosa, nos episódios controvertidos de Gilmar Mendes (que protagonizou uma possível fraude, com o senador cassado Demóstenes Torres, no episódio do "grampo sem áudio"), nas decisões sempre polêmicas de Marco Aurélio Mello, na submissão total de Ayres Britto aos clamores da mídia.
***
Mas nada se equipara à irresponsabilidade institucional do Ministro Celso de Mello, decano do STF.
O Ministro cumpriu carreira típica de servidor público qualificado. Primeiro, foi Procurador do Ministério Público Estadual (MPE) de São Paulo. Com reputação consolidada, foi guindado ao cargo influente de principal assessor jurídico do controvertidíssimo Consultor Geral da República do governo Sarney,  Saulo Ramos.
Ainda estão por serem reveladas as peripécias de Saulo à frente da consultoria e, depois, como Ministro da Justiça do governo Sarney. Foram muitas, desde a mudança do decreto do Plano Cruzado, visando dar sobrevida à indústria da liquidação extrajudicial, até o parecer conferindo direito aos investidores de títulos da dívida pública de receberem a correção monetária integral de um ano de congelamento, mesmo que tivessem adquirido o título na véspera do descongelamento.
Celso era o grande filtro técnico, o especialista capaz de dar vestimenta técnica às teses mais esdrúxulas de Saulo.
A Saulo, Celso serviu. E, como recompensa, ganhou a indicação para Ministro do STF.
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Há toda uma hierarquia no serviço público na qual poderosos de hoje dependeram de favores dos antigos poderosos de ontem.
Até aí tudo normal. Não consta, em sua longa carreira, que o decano Celso de Mello tenha desmerecido a instituição para o qual foi indicado, mesmo levando-se em conta a qualidade dos seus padrinhos.
A grande questão é a maneira como ele, do alto da posição de decano do STF, está conduzindo suas declarações políticas. É de uma irresponsabilidade institucional mais adequada a um jovem carbonário do que a um decano.
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Não se discutem as penas. Isso é prerrogativa do Magistrado. O que se discutem são as manifestações políticas inadmissíveis para quem representa o Supremo e a subordinação à segunda pior forma de pressão: o clamor da mídia (a primeira é a pressão do Estado).
Há uma grande chaga na política brasileira: as formas de cooptação de partidos políticos. E duas maneiras de combatê-la: entendendo-a como um problema sistêmico ou focando em apenas um partido.
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Ao investir contra os "mensaleiros" com um rigor inédito, o STF desperta duas leituras: a benéfica, é o da necessidade da punição exemplar do episódio para extirpar sua prática da vida política nacional; a segunda, a de que seu rigor se limitará a esse julgamento, não aos próximos. Contra a imagem de isenção da corte tem-se a maneira como indícios foram transformados em provas. E tem-se o modo como o STF mudou a jurisprudência até então em vigor.
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Há duas linhas de análise dos crimes das chamadas organizações criminosas. Uma - a "garantista" - exige a apresentação de provas objetivas para a condenação. Outra sustenta que, devido à complexidade das organizações, os julgamento podem se basear apenas em evidências. Até então, o STF adotava a primeira linha doutrinária, que beneficiava criminosos de “colarinho branco”. A partir do "mensalão", passou a adotar a segunda.
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Não será fácil conquistar a aura de poder severo com todos os crimes. Na mesma semana do mensalão, por exemplo, o Ministro Marco Aurélio Mello concedeu habeas corpus a um vereador carioca suspeito de chefia uma gangue de milicianos. No episódio Satiagraha, o STF, quase por unanimidade, acolheu a agressividade ímpar do Ministro Gilmar Mendes e concedeu liminar a um banqueiro cujos lugares-tenentes foram flagrados tentando subornar um Policial Federal.
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O Ministro Marco Aurélio concedeu um habeas corpus a Salvatore Cacciola que, nos poucos dias antes de ser derrubado, permitiu a fuga do ex-banqueiro. No momento, a Operação Satiagraha está parada no STJ, apesar dos esforços do Ministério Público Federal. No caso do chamado “mensalão mineiro”, segundo o próprio Joaquim Barbosa, foram os demais Ministros que aceitaram o desmembramento da ação, ao contrário do “mensalão do PT”.
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Só no próximo julgamento se saberá se o STF é isento ou discricionário. No entanto, a discricionariedade de Celso de Mello se manifesta antecipada e gratuitamente no campo das manifestações políticas, com um desapreço pelo sistema Republicano de causar inveja aos juízes da ditadura. Não se limitou a condenar o cooptação dos partidos mediante pagamento. Condenou como ditatorial o próprio instituto das coligações partidárias, peça central de governabilidade no país.
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Sabendo ser generalizada a prática de cooptação, os financiamentos obscuros de campanha, em vez de uma crítica geral à prática – até como sinal de que outras infrações receberão o mesmo tratamento - chegou ao cúmulo de comparar um partido político ao PCC.  O que pretende com isso? Criar uma situação de esgarçamento político com o Executivo? Colocar o STF a serviço de um partido? Dar razão aos críticos que duvidam da isenção do tribunal?